sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Resumo: Microeconomia: uma abordagem moderna. 2012

Rheider Abe Marçal
rheiderline@gmail.com
2ECO134 – Microeconomia: aplicações, Estratégias e Táticas Ambientais


EXTERNALIDADES

Em um primeiro momento este capitulo vai abordar o conceito de externalidade de consumo e externalidade na produção, tanto negativas como positivas e em uma segunda parte como estas externalidades podem ser eliminadas ou socializadas, por meio de Pigou e Coase.
As externalidades podem ser divididas em dois tipos: externalidade de consumo e externalidade na produção.
A externalidade de consumo pode ser classificada como positiva ou negativa, assim podemos verificar uma externalidade de consumo quando o consumidor se preocupa com a produção de outro agente. Ou seja, quando um indivíduo X consome um determinado produto/bem e o mesmo gera uma externalidade/influência no comportamento do indivíduo Y podemos então classificar se isto é uma externalidade negativa ou positiva. Por exemplo se dois indivíduos X e Y frequentam o mesmo bar, no entanto X tem o hábito de fumar, e o indivíduo Y não é fumante, o consumo de cigarro por parte de X vai gerar uma externalidade negativa sobre a saúde de Y e a cliente lá do bar que compartilha do hábito de não fumar, fazendo o mesmo a reclamar ao dono do estabelecimento ou até mesmo deixar de frequentar este ambiente. Já uma externalidade positiva acontece quando um proprietário de um terreno X tem por hábito preservar a vegetação nativa, assim um indivíduo Y que more ao lado teria por consequência uma externalidade positiva para consumir uma melhor qualidade de ar por exemplo.
Já a externalidade de produção ocorre quando as escolhas de uma empresa X afeta a produção de uma empresa Y. Um exemplo de uma externalidade de produção negativa: a indústria X que produz chumbo e neste processo gera a poluição dos rios de uma empresa pesqueira Y, a poluição dos rios por chumbo vai causar diretamente uma diminuição da produção de peixes.
Uma externalidade de produção positiva: Uma clínica que realiza exames de sangue, raio-X e etc que se localiza ao lado de vários consultórios médicos, ambos teriam uma externalidade positiva, visto que ao paciente se dirigir para consumir um ou outro serviço, tanto o laboratório como o consultório se beneficiariam pela proximidade, visto que um serviço complementa o outro.
Nesse segundo momento o livro nos mostra que existe duas formas de eliminar as externalidades por meio de Soluções públicas (Pigou) e soluções privadas (Coase).
Nas soluções públicas (Pigou) o Governo intervém enquanto regulador, por exemplo para uma questão da poluição do ar, o governo pode fixar impostos ou multas pela emissão de poluentes e emitindo permissões de emissão.

Nas soluções privadas (Coase) pode haver uma negociação entre a empresa poluidora e a empresa/população afetada ou ainda recorrer aos tribunais.

Referências

VARIAN, H.R. Microeconomia: uma abordagem moderna. 8.ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2012.

Resumo | Milton Santos - Economia Espacial: Críticas e Alternativas


Resumo

Livro: Economia Espacial: Críticas e AlternativasAutor: Milton Santos




Rheider Abe Marçal

Sobre o Autor:


Possui graduação em Direito pela Universidade Federal da Bahia(1948) e doutorado em Geografia Humana pela Universite de Strasbourg I(1958). Atualmente é Professor emérito da Universidade de São Paulo. Atuando principalmente nos seguintes temas:região, teoria, Geografia.

1. PLANEJANDO O SUBDESENVOLVIMENTO E A POBREZA

O uso do planejamento nos países considerados do Terceiro Mundo foi imprescindível, pois este é a causa do subdesenvolvimento dos mesmos. O planejamento capitalista é indispensável para a manutenção e ao agravamento do atraso dos países pobres.

O planejamento: Instrumento do Capital


Até 1930 a intervenção do Estado na economia era considerada prejudicial, no entanto com a crise de 1929 isto mudou. Agora com a crise a política do laissez-faire era necessária para garantir o bem estar e o crescimento rápido da economia.
Assim a função do planejamento é garantir dentro da lei e da ordem, um grau de segurança e de estabilidade das pessoas e da propriedade, é promover e estimular o investimento privado.
Desta forma usa-se da linguagem científica para embasar e justificar o uso do Tesouro Público para garantir a segurança e a confiança dos investimentos privados.
A serviço do planejamento a economia perde seu status científico e se torna uma ideologia, cujo fim é persuadir os Estados e as pessoas do que seria o desenvolvimento e como alcança-lo. A ideologia da sociedade de consumo às populações, a dependência e à dominação; à dominação através da dependência.
A fim de realizar com sucesso a dominação econômica através do planejamento, inventa-se o Terceiro Mundo. Fazendo com que as pessoas se esqueçam que vivem em um mundo de exploração e são convencidos de que estavam em um mundo subdesenvolvido.
A pobreza um fenômeno qualitativo, foi transformada num problema quantitativo, assim foram estabelecidos índices do que seria um país desenvolvido e que os países pobres deveriam alcançar para sair do subdesenvolvimento.
Os países subdesenvolvidos se veem necessitados a imitar todos os costumes, modelos econômicos, desde o capital e até os alimentos destes países desenvolvidos que só querem a dominação econômica.
O planejamento tem tido o papel de impor por toda parte o capital internacionalizado. Usando-se da "ostentação estatística", ou seja, índices que representam o desenvolvimento, os países ditos subdesenvolvidos deveriam adotar formas e modelos para alcançar estes índices estatísticos ditos do mundo desenvolvido.
De 1945-1950 inicio-se os grandes projetos de exibição de capital, mas para isso era necessário mostrar que os países subdesenvolvidos não tinham condições de acumular internamente este dinheiro para consolidar estas obras e para isso era necessário receber ajuda de capital privado estrangeiro. Foi assim que se caminhou para o endividamento ou dominação dos países subdesenvolvidos pelos empréstimos, e isso gerou uma distorção de toda a economia, uma vez que para pagar a dívida, riquezas minerais tiveram de ser alienadas e a agricultura teve de ser canalizada para a produção de exportação.

A Ciência do Espaço a Serviço do Capital

Ocorre uma divisão de trabalho entre as duas disciplinas: á economia é confiada ao capitalismo e a tarefa de disseminar o capital em vários espaços nacionais é confiada à ciência regional.
O desenvolvimento regional é o resultado de  um processo de investimento, por outro lado, "o caráter aberto da economia regional sugere que boa parte de seu crescimento é moldada por forças externas.
Ou seja, os impulsos de crescimento em economias regionais provêm de fora, sob a forma de demandas por especialidades regionais.
E assim uma vez que estes países subdesenvolvidos carecem de capital nacional, estes se veem necessitados a aceitar o capital estrangeiro.
A ciência regional e o planejamento eventualmente se fundiram, formando o planejamento regional.
Com o planejamento regional os recursos sociais tendem a se concentrar em certos locais onde a produtividade do capital é cada vez mais alta, a atração da força de trabalho, e os salários mais baixos são um fator adicional para aumentar os lucros/mais-valia do grande capital. É por isso que acontece a concentração cumulativa de investimentos e de população nas mesmas cidades. A tendência à especialização agrícola se acompanha  da expansão do número de assalariados, da extrema divisão social do trabalho e da concentração econômica e espacial. A urbanização se apresenta como necessidade do sistema, ou seja,  resultado e uma condição do processo de difusão do capital.
A ideia de criar centros satélites próximos às grandes concentrações, apenas reflete o desejo de promover a entrada e a permanência do grande capital. Apenas estão sob o disfarce de promotoras do crescimento, elas não tem outra função além de coletar o excedente e enviá-lo para cidades maiores e para o estrangeiro.

O Planejamento Hoje: Do uso da Força ao Estratagema

Podemos dividir em três fases a penetração do capital com vistas a acumulação nos países ditos do Terceiro Mundo.
A primeira fase foi através da força com a colonização, como exemplo: Na Índia a Inglaterra destruiu manufaturas de algodão para monopolizar a matéria prima e a produção de tecidos de baixo custo que ali impôs subsequentemente.
A segunda fase é marcada pelo desenvolvimento de monopólios na sua forma transnacional, sendo tanto uma consequencia como uma causa do aumento da concentração de capital. A revolução tecnológica aparece como essencial, o sistema tira daí modos de aumentar a acumulação, graças aos progressos na difusão de ideias, encontra os meios de impor novas ideias dominantes.
A terceira fase dever-se-á dar aos pobres a impressão, e não somente a esperança, de que estão emergindo da pobreza. Eles passarão portante a testemunhar um aumento em termos absolutos de sua renda, isto é, de seu consumo de bens e serviços. Conduzindo a pobreza planejada, pois o capital não vai abrir mão das suas taxas de acumulação.


2.DIFUSÃO DE INOVAÇÕES OU ESTRATÉGIA DE VENDAS?


3.A PERIFERIA ESTÁ NO PÓLO: O CASO DE LIMA, PERU


4.UMA REVISÃO DA TEORIA DOS LUGARES CENTRAIS

5. ESPAÇO E DOMINAÇÃO: UMA ABORDAGEM MARXISTA

Milton Santos em Espaço e Dominação trata acerca da modificação do espaço dentro do sistema capitalista, o que ocorre é alteração de "espaço local" para "espaço globalizado" que é a readequação imposta pela globalização.
Essa intensificação do capital cria novos espaços modernizados e altera os espaços já existentes, para a entrada da economia global nas regiões ou espaços agrícolas, é necessária a modificação dos lugares para que possam atender as demandas exigidas para a sua instalação como: a criação da mão de obra, infraestrutura etc.
Além dessas modificações espaciais, a adesão do capital globalizado altera as relações existentes e cria uma adequação de mercado aos espaços que utilizarão o capital global como desenvolvimento.
Neste contexto, Milton exemplifica que para o crescimento do capital nestas regiões há uma valorização do excedente global e o enriquecimento das empresas multinacionais que atuam em ordem global.
Por outro lado é observável que o crescimento monetário desse capital não chega de forma igual a todos os setores, chegando de maneira mais abrangente aos grandes possuidores do capital, desfavorecendo alguns setores, o capital desenvolve-se de forma gradual nessas regiões agrícolas fenômeno que provoca a valorização desses lugares.
O capitalismo se instala de forma rápida e traz á tona á competição econômica para os setores agroindustriais, por isso torna necessária a reestruturação das relações cidade e campo e adesão ao capital global.
A globalização cria redes de transmissão do capital no mundo interligadas entre si, o que possibilita o aumento do acesso da comunicação e das novas tecnologias novos centros agroindústrias.
Os novos núcleos urbanos do desenvolvimento, ou seja, cidades maiores, pelo seu avanço e crescimento atrasam as cidades de menor porte ao seu entorno.
Apesar de todo o desenvolvimento e avanço tecnológico advindo com o capitalismo globalizado, gerou por outro lado desigualdades sociais e a exploração, trazendo assim como consequência: desemprego e pobreza nas cidades.
 A exploração do capital nas grandes cidades, por meio das grandes industriais que exigem dos comerciantes sua adaptação ao que é dito pelo capital, há existência da exploração trabalhal de operários nos centros fabris, visado pelo aumento da produtividade e posteriormente de lucro dos grandes proprietários.
Segundo Milton Santos, a nação não funcionaria exatamente como um núcleo totalmente integrado, ou seja, o capital não atua neste espaço de maneira igualitária o que provoca neste contexto relações de dominação entre centro urbano e centro rural.
A mais valia se aplica no espaço, da maneira em que o capital global utiliza da capacidade de reestruturação do espaço, motivando e reorganizado esses espaços para que atendam as demandas necessárias para sua introdução, criando um desenvolvimento, posteriormente gerando lucro e produtividade.
É necessário um aumento da complexidade dessas atividades, para que possa existir um aumento da reprodução do excedente local.
O estado é arrecadador de parte dessa renda produzida durante essas atividades pelo capital, tendo como função a imposição de impostos para que posteriormente redistribuísse parte do arrecadado com a renda em forma de infraestrutura nos municípios.
Possui o capital possibilidade de modificação do valor local, pela a realização das forças produtivas existentes.
O objetivo desse estudo segundo define Milton é que o excedente seja decidido pela sociedade para que dessa maneira atenta as necessidades da população local, é possível compreender sua preocupação pelo fato do  seu interesse em defender que cada região possui suas próprias particularidades e demandas.
É necessário pensar o espaço, pois este espaço é gerador das relações tanto sociais quanto econômicas, muitos autores se fixaram nessa temática, cada qual da sua maneira.
Ao longo do texto é observável que o capital tem como tarefa acumulação e sua redistribuição, sendo essa redistribuição movida por grandes contrastes, sendo de uma forma geradora de riqueza, desenvolvem de outra maneira desigualdades entre as camadas populares mais carentes.


6.PÓLOS DE CRESCIMENTO ECONÔMICO E JUSTIÇA SOCIAL
Friedmann (1963, 1966), foi o primeiro a sugerir que o conceito de pólos de crescimento tinha uma base geográfica. A teoria dos pólos de crescimento tem se preocupado com o espaço de alguns poucos e não com o espaço de todos. 
A aplicação da teoria dos pólos de desenvolvimento levanta a questão de se o espaço pode ser descrito tanto nos países desenvolvidos e subdesenvolvidos.
Embora os componentes do espaço sejam universais e formem um continuo através do tempo, eles variam quantitativa e qualitativamente através do espaço.
O espaço nos países subdesenvolvidos se caracteriza por enormes desigualdades de renda, que são expressas no nível regional por uma tendência à hierarquização das atividades, no nível local, pela coexistência de atividades similares, mas que funcionam em diferentes níveis. As disparidades de renda são muito menos chocantes nos países desenvolvidos e tem muito pouca influência sobre o acesso a um grande número de bens e serviços. Em contraste, nos países subdesenvolvidos, as possibilidades de consumo variam grandemente. O nível de renda de cada um é função de sua localização espacial, a qual, por sua vez, determina a possibilidade de produzir e de consumir de cada um.
As atividades do circuito superior são responsáveis pela macroorganização do espaço, enquanto a organização espacial em nível local se divide entre os circuitos inferior e superior. POrtanto, é neste nível que tem lugar a troca entre os dois circuitos.
Assim a teoria dos pólos de crescimento leva em conta apenas o circuito superior, pois acredita-se que somente ele gere a modernização, através das indústrias de ponta.
No entanto o autor vai discordar destas ideias ao tempo que estas  indústrias podem lucrar e não produzir nenhum efeito disseminador importante, ou seja, ela pode se beneficiar de uma economia de aglomeração na cidade e não exercer nenhum efeito multiplicador em troca ao local.
 O autor traz uma situação que poderia resolver este problema, que seria o caso de diminuir a distância tecnológica entre os circuitos superiores e inferiores. Uma vez que o circuito inferior desempenha um papel regulador entre a economia moderna e as massas empobrecidas que emprega, ele age como um meio de transmissão para estes trabalhadores populares que ascendem para o circuito superior através de diversos meios.  Assim o circuito inferior se tornaria menos inferior e as massas fortaleceriam as cidades e estas desempenhariam um verdadeiro papel regional, e com este poder controlador regional produziria numerosos efeitos multiplicadores sociais e econômicos. E reorganizaria todo o espaço criando vários pólos de crescimento em vez de um único.

7. A TOTALIDADE DO DIABO: COMO AS FORMAS GEOGRÁFICAS DIFUNDEM O CAPITAL E MUDAM AS ESTRUTURAS SOCIAIS

Na atualidade formas transferidas de uma formação socioeconômica para outra podem comportar a força de modificar está última.
As formas foram usadas no passado para ajudar na transformação da estrutura social tanto no campo como na cidade. Ex: o movimento dos enclosures (cercamento de terras) no século XVIII na Inglaterra,  ou também em Paris a reconstrução da rue de rivoli, no século XIX, foi feita para separar as classes sociais.

A revolução verde traz ao rural programas oficiais que garantem empréstimos a pequenos proprietários de terra para a compra de sementes, fertilizantes, equipamentos etc, e encorajam a comercialização e a administração moderna. Obviamente qualquer alteração na técnica na agriculta é seguida por uma modificação na propriedade da terra que é, ela própria, uma forma.

O mesmo mecanismo se aplica nas cidades, através da ação do planejamento urbano que muita s vezes constitui uma fachada científica para operações capitalistas. Como por exemplo a construção de projetos de arranha-céu e de obras públicas de grande escala, que implicam em um grande investimento nas cidades. Assim essas atividades construtivas, ao mesmo tempo que implicam na importação de equipamentos, matéria prima e capital, aprofundando a necessidade nestas áreas, elas desencaminham investimentos necessários a outras atividades urbanas na própria cidade ou em outros locais.
 
As formas se tornaram instrumentos ideais para promover a introdução do capital tecnológico estrangeiro numa economia subdesenvolvida e para ajudar o processo de superacumulação, cuja contrapartida é a superexploração. Aqueles países em que isto ocorre têm sua economia distorcida, suas tradições sacrificadas e suas populações empobrecidas.
As formas servem ao modo de produção dominante em vez de servir à formação socioeconômica local e às suas necessidades especificas.


Referências


SANTOS, M. A. . Economia Espacial: Criticas e Alternativas.. São Paulo: Hucitec, 1978.