quinta-feira, 14 de março de 2013

Resenha - Consumismo como fuga simbólica do real

Escrito por: Rheider Abe Marçal

BITTENCOURT, Renato Nunes. Consumismo como fuga simbólica do real. Cadernos Zygmunt Bauman, v. 1 n.1, p. 34-67, 2011.

           
            Informações sobre o autor

Renato Nunes Bittencourt é doutor em Filosofia pelo PPGF-UFRJ, professor do curso de Comunicação Social da faculdade CCAA, da faculdade Flama e do Departamento de Filosofia do Colégio Pedro II. Também é membro do grupo de pesquisa Spinoza & Nietzsche. (Portal Ciência & Vida, 2013).
E as suas especialidades são: “Filosofia Grega Antiga, Espinosa, Schopenhauer, Nietzsche, Marx, teoria psicanalítica e temas relacionados a teoria da comunicação e crítica da cultura contemporânea através de Zygmunt Bauman, Gilles Lipovetsky, Ortega Y Gasset, Michel Foucault, Pierre Lévy, Manuel Castells, dentre outros.” (CNPq, 2013). 

Discussão crítica do texto

O autor começa abordando dois conceitos para que durante a leitura não haja alguma interpretação errônea por parte do leitor, o primeiro é a definição de Consumo que segundo Bittencourt (2011) este ato o de consumir já faz parte do ser humano e nada mais é do que a busca por recursos materiais ou simbólicos que contribua para a manutenção de sua existência. A outra definição é a do consumismo que de acordo com Bittencourt (2011) seria quando o homem passa a consumir incontrolavelmente não apenas para a manutenção da sua vida, mas sim impulsionado por desejos que são gerados pelo sistema social estabelecido.
Então o autor vai abordar durante o texto as principais ideias de uma forma bem retilínea, porém se tornando algumas vezes um pouco repetitivo, porém isso decorre dele querer deixar o texto de uma forma bem explicativa e sem dúvidas. O autor escreve o texto com um pensamento ideológico marxista, eu concordo com a maioria das coisas que ele escreveu, e não posso negar que o texto é muito cativante e logo te faz pensar que devemos lutar contra o consumismo, porém acredito que é muito difícil seguir os parâmetros criticados pelo autor neste nível que a nossa sociedade se encontra, pois a nossa liberdade como é dito no texto é privada pela moda, mídia, publicidade e empresas produtoras de diversos produtos, por mais que você tente fugir é praticamente impossível escapar, a única maneira seria deixar de consumir e isso em uma sociedade capitalista é acredito eu inviável, por mais que você tente, o que pode ser feito é conscientizar as pessoas para que elas percam essa “insegurança” de que consumir é felicidade e diminua esse consumismo como é exposto no texto, ou seja, consumir para a manutenção da vida. Porém fazendo isto está pessoa será “excluída” da sociedade por ser diferente da demais massa consumidora e terá que ser muito persistente para sobreviver.
 Seguindo o pensamento do autor ele vai começar abordando sobre o consumismo e a alienação existencial e vai trazer a ideia de que: “consumo, logo existo” como ele diz será que o homem consome para viver ou vive para consumir. Mais pra frente em relação a alienação ele vai trazer a ideia de que o  homem é alienado pelas campanhas publicitarias e a midiáticas e isso vai faze-lo assimilar a falsa ideia de que o novo é sempre bom, criando um mundo com valores materialistas, e um homem como o autor define metaforicamente Homo Consumens. E a sociedade assimila uma falsa condição existencial através da publicidade de que somente quem consome é feliz e se sinta especial diante dos demais. Mais adiante a “sociedade do consumo” como é descrita pelo autor não se trata de todos terem acesso aos bens materiais e sim na crença de que o valor da vida quanto o das pessoas se mede de acordo com a sua capacidade de consumir. E quem vai imprimir essas ideias em nossas mentes nada mais são do que as empresas midiáticas que vão manipular nossos medos e inseguranças para nos fazer pensar que não somos bons e que se não consumirmos determinado produto estaremos deslocados da sociedade ou perdendo algo. Torna-se tecnicamente impossível pensar em liberdade de escolha, a escolha vai ser controlada pela moda, que vai ditar a marca “x” e a marca “y”, porque a marca vai representar tudo nessa sociedade consumista e as pessoas compram a marca mais cara não porque tem mais valor de uso do que a barata, mas sim porque representa exclusividade e status, através de uma etiqueta.
E assim estes cidadãos sempre estão se esforçando para consumir e se parecerem com as celebridades que são e representam a moda, que vão proporcionar segurança e estabilidade nesse mundo dinâmico e mutável, e consequentemente fazendo isso é garantido a eles a felicidade plena por estarem inseridos nessa massa de pessoas alienadas todas iguais e com os mesmos gostos e padrões de comportamento, que terão que se guiar e serem obedientes a moda. E o autor fecha a ideia de que os shopping centers são o “não-lugar” onde as pessoas só vão se relacionar por meio de objetos de consumo e este não-lugar seria uma forma de segregar os “outros”, a grande horda de marginais sociais que não tem condições de consumir.

Referências

CNPq. Curriculum Lates. Disponível em: . Acesso em: 28 Fev. 2013.

Portal Ciência e Vida.  Pós-modernidade. Dinheiro: o dublê da virtude. Disponível em:. Acesso em: 28 Fev. 2013.

Nenhum comentário:

Postar um comentário